MOLELETRICO
sábado, 21 de julho de 2012
fica longe, ele disse. já era de se esperar depois de tudo. ele sempre foi assim, impetuoso. não precisa de ninguém, não lembra de ninguém. é só uma fase, sempre passa. é só um dia, amanhã é outro. e ele não precisa de ninguém pra le disser que não é assim. percebeu sozinho que o seco que engolia era culpa sua e de mais ninguém e precisa melhorar sua maneira de se comunicar. era um mal entendido ele entendia e nunca sabia consertar. vai passar ele disse, e tudo que passou foi o último ônibus do dia, agora só amanhã. ou nunca mais.
quarta-feira, 4 de julho de 2012
8749677
No nosso último e primeiro encontro, eu anotei o seu número no meu braço esquerdo. A tinta azul daquela caneta roubada ainda resiste à minha pele que ardeu naquele momento. Todos os números forçavam uma dança rítmica entre os seus traços e o meu braço. Não sei se essa cena poderia ir para algum filme. Se estaria na descrição de um casamento, se viraria poema, ou estaria pregado no teto do meu apartamento. Aconteceu. Inacreditavelmente eu estava sem qualquer tipo de contato e você também, porque decidimos no mesmo momento abandonar qualquer tipo de prisão humana e banal. Eis que nos lembramos da relação social, das distâncias e o quanto custaria a fadiga de lembrar um endereço ou marcar um encontro. O número resgatado as pressas na multidão, uma reunião de palavras para o ato final '' mantenha contato ''.
Você esqueceu de um dígito e eu também.
Agora eu não te liguei, você nunca me ligará e eu não sei quantas possibilidades ainda tenho.
São sete números e inúmeras combinações. Acho que nosso encontro deveria ter sido incluído na mesma probabilidade. Muitas pessoas e só a gente combinava. É só tentar. Eu só tento. Vou tentar.
PS: nunca.
Nona.
domingo, 1 de julho de 2012
Ah, é mesmo! Eu me esqueci de perguntar 'por que' quando você disse "não da mais". É uma mania que eu tenho de não querer saber de nada quando as coisas dão errado. Bem, eu vou bem, melhor até em algum pontos do que quando estava com você. As vezes é só carência e falta de alguém dizer "vem cá me fazer um carinho que hoje eu não quero ver mais ninguém". Não precisa ser necessariamente você. Não precisa ser sua voz, seu numero me chamando no celular. Não precisa ser a sua mão, o seu cheiro, sua cama, seu café, sua boca, sua falta de paciência comigo. Eu nunca precisei de você hora nenhuma pra nada. Mas eu queria que você fosse. Deus sabe o quanto eu queria que fosse você.
Rodrigo Vieira
Rodrigo Vieira
segunda-feira, 25 de junho de 2012
Topa Tudo
Existem muitas coisas que você não imagina, pois você sempre acha que sabe tudo de mim. Você não sabe, mas quando a gente briga e você desce as escadas correndo pra casa da tua mãe eu fico te olhando lá de cima do espiral, ainda de cueca e camisa. Uma vez até tomei um esporro da sindica do prédio pois perdi completamente a noção dos minutos. Você não pensa, mas eu respiro forte e penso eu te pedir desculpa por ser assim, tão eu, e não ligar pras coisas banais que você gosta, ou por querer ficar tanto em casa respirando você e não sair pra dançar. eu não sei dançar. eu sei tocar violão. eu toco pra você dançar na sala. a gente arrasta os sofás, e pede uma pizza e tem cerveja na geladeira. eu sou assim, passivo, lerdo, desengonçado e não acho que a gente devia ter um cachorro e não gosto de novelas, mas eu te quero bem. Mesmo eu tendo sangue de barata, eu te quero aqui.
Ps.: Tem pizza no microondas.
Rodrigo Vieira
Ps.: Tem pizza no microondas.
Rodrigo Vieira
domingo, 24 de junho de 2012
O videocassete estragou
Chega. Roda a chave na porta. Todas as roupas que no dia colaram em seu corpo, querendo pertencer a sua pele mais do que sua alma, agora escorregam uma a uma no chão. Cada cômodo carrega uma blusa, uma meia, um tênis, um casaco, três colares, uma bolsa e cinco anéis. Só não carrega os sentimentos. Esse despencou em cada esquina e em cada olhar que não trouxe o bem. Vazou, foi embora junto a lama que escorria na rua, junto ao cuspe do camarada, do rapaz, daquele homem, deste homem, de todos os outros homens desse universo. As lágrimas não marcaram nenhuma roupa, a saliva não passou para qualquer outra boca a não ser a dela. Porque como dizia aquela poeta perdida '' E o dela era pra ela, mais do que dela, era o seu em ser só pra ela ''. Grande verdade, sábia verdade, para aqueles que não enxergam nenhuma outra verdade.
Cada batida de uma música sem nexo, cada movimento de corpos que te empurram para trás, para frente, para o lado do palco onde você não nunca quis estar. Dor latejante, cintilante pra quem vê brilhando uma cabeça infértil, talvez fértil demais para trazer mais uma ideia morta a terra. Aborto pessoal, aborto sentimental, aborto. Contínuo aborto e dor em ventre, pungente...
PS: O rádio não funciona.
Débora Nonaka.
Cada batida de uma música sem nexo, cada movimento de corpos que te empurram para trás, para frente, para o lado do palco onde você não nunca quis estar. Dor latejante, cintilante pra quem vê brilhando uma cabeça infértil, talvez fértil demais para trazer mais uma ideia morta a terra. Aborto pessoal, aborto sentimental, aborto. Contínuo aborto e dor em ventre, pungente...
PS: O rádio não funciona.
Débora Nonaka.
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