No nosso último e primeiro encontro, eu anotei o seu número no meu braço esquerdo. A tinta azul daquela caneta roubada ainda resiste à minha pele que ardeu naquele momento. Todos os números forçavam uma dança rítmica entre os seus traços e o meu braço. Não sei se essa cena poderia ir para algum filme. Se estaria na descrição de um casamento, se viraria poema, ou estaria pregado no teto do meu apartamento. Aconteceu. Inacreditavelmente eu estava sem qualquer tipo de contato e você também, porque decidimos no mesmo momento abandonar qualquer tipo de prisão humana e banal. Eis que nos lembramos da relação social, das distâncias e o quanto custaria a fadiga de lembrar um endereço ou marcar um encontro. O número resgatado as pressas na multidão, uma reunião de palavras para o ato final '' mantenha contato ''.
Você esqueceu de um dígito e eu também.
Agora eu não te liguei, você nunca me ligará e eu não sei quantas possibilidades ainda tenho.
São sete números e inúmeras combinações. Acho que nosso encontro deveria ter sido incluído na mesma probabilidade. Muitas pessoas e só a gente combinava. É só tentar. Eu só tento. Vou tentar.
PS: nunca.
Nona.
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